São Francisco e o Irmão Lobo: quando a diferença não é mais problema

Escrito por  OFMConv-notícias

Certa vez, São Francisco foi visitar a cidade de Gubbio, na Itália. Assim que chegou, Francisco soube que os moradores enfrentavam problemas com um lobo selvagem que estava a atacar diversos animais das criações locais e também até as próprias pessoas. Apavorados, ninguém se atrevia a passar os muros da cidade.

O Pai Seráfico, que amava a criação e via o seu Criador em todas as criaturas, tinha por costume, conversar com os animais. Para ajudar os moradores de Gubbio, ele decidiu então falar com o lobo violento. Todos ficaram esperançosos, pois sabiam dos inúmeros feitos do Pobrezinho. Francisco saiu então a procurar pelo animal. Sozinho e com o terço na mão, andou pela floresta até se deparar com canino.

Raivoso e com os pelos ouriçados, o lobo estava pronto para atacar. Entretanto, o animal ao perceber que as intenções de Francisco eram outras, se acalmou. Ao encontro do lobo, o Seráfico Pai se aproximou como quem se aproxima de um irmão e então disse:

– Irmãozinho lobo, quero somente conversar com você, meu irmão. E, caso você esteja me entendendo, levante, por favor, a sua patinha para mim!

O irmão lobo, perante tão grande vibração de amor e carinho, perdeu toda a sua ferocidade. Assim, levantou confiante a pata da frente e calmamente a pôs na mão aberta de Francisco, que novamente lhe dirigiu a palavra com toda a sua graça:

– Querido irmão lobo, vou fazer um trato com você! De hoje em diante, vou cuidar de você, meu irmão! A cidade vai lhe dar comida, já que, por culpa das pessoas, a floresta não lhe oferece mais o alimento necessário. Você vai poder entrar em minha casa e vou lhe dar comida. Assim, seremos sempre amigos! Você por sua vez, também será amigo de todas as pessoas desta cidade, pois de agora em diante, terá acolhimento, comida e carinho. Desta forma, não precisará mais matar ou agredir alguém para sobreviver.

A conversão do lobo de Gubbio por São Francisco de Assis – José Camarón y Bononat  (1731–1803) 

Com a promessa de nunca mais lesar nem homem nem animal, foi o lobo com Francisco até a cidade. Os moradores abandonaram a sua raiva a passaram a chama-lo de irmão lobo. Quando o animal morreu de velhice, foi um grande pesar para toda a cidade, já que todos de Gubbio viam o amor divino de Francisco refletido nos olhos do lobo. Cada vez que ele ia até a porta da cidade buscar o seu alimento, era como se os moradores vissem Francisco chegando para oferecer amor e compreensão a todos os homens e mulheres.

Quando a diferença não é mais problema

O escritor francês Michel Sauquet¹ reflete sobre o acontecimento:

A mensagem é clara. O lobo não é naturalmente mau. Estava com fome e as pessoas não haviam pensado nisso. Compreender o outro que é diferente, que tem suas razões que talvez minha razão ignore. “Francisco não é ingênuo, explica Bernard Forthomme, “É a fome que faz com que o lobo saia da mata e o torna feroz e criminoso. Aliança alguma pode ser concluída sem que a questão de fome e de injustiça tenha sido resolvida”. O que empolgante nesta história é aquilo que passa depois da conclusão do “tratado de paz”. O lobo, designado de “irmão” não é mais reprovado, mas abertamente adotado pela população de Gubbio, não, porém, assimilado. Nada perdeu de seu aspecto de lobo – mas é acolhido e alimentado. Torna-se mesmo “mascote” da cidade onde vive ainda por dois anos antes de morrer para desolação de todos. A diferença não é mais um problema. Chegou mesmo a tornar-se motivo de júbilo, objeto de atenção afetuosa e alegre.

Fontes: Caminho FranciscanoCultura da Paz e Franciscanos.

¹: Michel Sauquet, Le Passe Murailles, Ed. Franciscaines, Paris, p. 27.

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