Renovação Carismática Católica: O que é?

A Renovação Carismática é uma corrente espiritual suscitada pelo Espírito Santo na Igreja, depois do Concílio Vaticano II, tornando presente, hoje, a experiência de Pentecostes. Os discípulos reunidos no Cenáculo receberam o cumprimento da promessa do Pai, depois da Ascensão e Glorificação de Jesus ao céu.

“mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo”. (At. 1,8 )

Podemos dizer que João XXIII foi o precursor da Renovação Carismática. Sua é esta oração que compôs como preparação espiritual da Igreja ao trabalho do Concílio Vaticano II:

“Repita-se no povo Cristão o espetáculo dos Apóstolos reunidos em Jerusalém, depois da Ascensão de Jesus ao Céu, quando a Igreja nascente se encontrou reunida em comunhão de pensamento e de oração com Pedro e em torno de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas.
Digne-se o Divino Espírito escutar da forma mais consoladora a oração que sobe a Ele de todas as partes da terra. Que Ele renove em nosso tempo os prodígios como de um novo Pentecostes, e conceda que a Santa Igreja, permanecendo unânime na oração com Maria, a Mãe de Jesus, e sob a direção de Pedro, dilate o Reino do Divino Salvador, Reino de Verdade e de Justiça, Reino de amor e de paz.”

Em 18 de fevereiro de 1967, um grupo de estudantes da Universidade de Duquesne (Pittsburgh, Pensylvania, EUA), experimentou a realização deste período do Papa João XXIII, de maneira poderosa. Deus, em Seu grande amor derramou Seu Espírito de forma especial num novo momento da graça. Levou aquelas pessoas a terem a consciência e o poder do batismo no Espírito Santo. O que eles haviam recebido nos Sacramentos do Batismo e da Confirmação tornou-se vivo e real para o grupo reunido em oração. Repetia-se a cena do Cenáculo, no século XX.

A graça de Pentecostes, a unção carismática, não é, pois, nada novo, porque tem sido parte do desígnio de Deus para seu povo desde o primeiro Pentecostes de Pedro e dos Apóstolos através da história da Igreja.

Esta graça de Pentecostes tem sido vista de acordo com os escritos dos Padres da Igreja, como parte da vida cristã e integrante dos Sacramentos de Iniciação Cristã.

Desta forma, o Batismo no Espírito Santo ressurge hoje na experiência cristã como uma renovação feita pelo Concílio Vaticano II, depois que o Papa João XXIII pediu um Novo Pentecostes.

Se o batismo no Espírito Santo não está reduzido a um segmento da Igreja apenas, assim, também, a Renovação não deve ser vista como um movimento exclusivo para se receber ali, o batismo no Espírito Santo. A Renovação é para atingir toda a Igreja e o Batismo no Espírito Santo pertence à herança cristã de todos os que foram sacramentalmente iniciados na Igreja.

Na Igreja Primitiva, o Batismo no Espírito Santo fazia parte da iniciação cristã.

Hoje, a grande urgência da Igreja é a Evangelização. O Espírito Santo derrama Seu poder para que esta evangelização atinja a todas as pessoas.

A vida plena no Espírito Santo, a unção carismática do Espírito é que concede à Igreja, uma imensa gama de dons. Dons de adoração, de louvor, de oração, que aprofundam a dimensão contemplativa da fé cristã. Dons de serviço, que animam a vida cristã. Todos os carismas trazem uma maior docilidade ao Espírito, uma fé expectante na intervenção salvífica de Deus nos assuntos humanos, um grande zelo pelo Evangelho e um respeito à autoridade da Igreja. Através do batismo no Espírito Santo, milhões de católicos convertem-se à Igreja.

O batismo no Espírito Santo não é um fim em si mesmo, mas visa à santificação pessoal e os dons carismáticos para a missão. O poder transformador do batismo no Espírito Santo toca pessoas de todas as idades e todas as culturas – toca os leigos, os sacerdotes e os bispos.

No início da Igreja, nas primeiras comunidades, o batismo no Espírito Santo era um sinônimo da iniciação cristã. No testemunho de Santo Hilário de Poitiers, São Cirilo de Jerusalém e de São João Crisóstomo, assim como o de muitos líderes da Igreja Primitiva, o batismo no Espírito Santo não era uma piedade particular, mas parte integrante da liturgia oficial, e da vida pública da Igreja. Historicamente, o batismo no Espírito Santo, e consequentemente, o recebimento dos carismas, realizava-se com os sacramentos constitutivos da Igreja: Batismo, Confirmação e Eucaristia.

Para Hilário de Poitiers (315-367), os carismas estavam na experiência cristã. Descrevendo sua liturgia de iniciação, Santo Hilário diz: “Começamos a perceber os mistérios da fé, somos capazes de profetizar e de falar com sabedoria. Ficamos firmes na esperança e recebemos dons de curar”.

S. Cirilo de Jerusalém (315-387) preparou 23 ensinamentos para preparar o Sacramento do Batismo. Ele dizia que a Igreja de Jerusalém se originava de uma sequência de fatos carismáticos e da história da ação do Espírito Santo, desde Moisés. “O Espírito santifica o cristão, dizia, transformando o batizado à imagem de Jesus. O Espírito concede os carismas. Eremitas, virgens, clérigos e leigos têm carismas”. S. Cirilo fazia um apelo para que a experiência da Igreja de Jerusalém se expandisse por “todo o Império Romano e para o mundo inteiro”. Várias vezes S. Cirilo cita o dom de profecia: “Que Deus vos torne dignos do carisma da profecia”.

Na última instrução, S. Cirilo exorta os candidatos ao batismo a prepararem sua alma para receber os carismas celestes.

S. João Crisóstomo (317-407), dizia que o modelo da Igreja apostólica continha o recebimento dos carismas na liturgia inicial: “os que eram batizados, falavam imediatamente em línguas, e não apenas em línguas, mas muitos profetizavam; muitos operavam prodígios maravilhosos”. Entre muitos outros carismas que eram recebidos no início da era apostólica, estavam a palavra de sabedoria, a cura, e em todas as Igrejas haviam muitos que profetizavam.

Sabemos que a vida em Cristo é muito mais que os carismas. O amor é mais importante, pois “ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um címbalo que retine.” (1 Cor 13,11)

Abraçar a totalidade da iniciação cristã, pertence à Igreja. A Renovação Carismática é este impulso do Espírito Santo que renova a experiência de Pentecostes na Igreja. Neste enfoque, é uma espiritualidade no próprio coração da Igreja.

À luz destas reflexões é de nossa experiência de Batismo no Espírito Santo nos últimos anos, vivida desde o Vaticano II, vemos que esta reapropriação do batismo no Espírito Santo, feita pela Igreja que na Renovação Carismática, está revitalizando a evangelização, a pregação, a adoração, os ministérios específicos como: jovens, meios de comunicação, comunidades, ação social e compromissos pastorais.

A conversão acontece por um trabalho de evangelização, que é o ministério específico da Igreja e a própria razão de sua existência.

A evangelização, tem como a conversão um processo contínuo, mas não um acontecimento, num determinado momento da vida do cristão. Através da profunda comunhão com Deus e com a Igreja, estamos preparados para participar em sua missão. Uma vida batizada no Espírito é marcada por uma experiência de dinâmica união com Deus e por uma experiência de carismas, concedidos pelo Espírito Santo. Isto nos capacita a servirmos a Deus com oração e louvor, e servirmos uns aos outros em amor através dos dons da profecia, de revelação, de cura e de muitos outros dons que nos ajudam a participar, com o poder do Espírito Santo, no ministério da Igreja dentro dela mesma, em seu próprio coração e em sua vida na sociedade e no mundo.

Objetivos

Os objetivos centrais da Renovação Carismática Católica são:

1. Promover uma conversão pessoal, madura e contínua a Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador.
2. Incentivar uma abertura decisiva individual à pessoa, à presença e ao poder do Espírito Santo.
Estas duas graças espirituais são geralmente experimentadas juntas no que chamamos de batismo no Espírito Santo, ou efusão do Espírito Santo, ou ainda Renovação no Espírito Santo. É uma apropriação pessoal das graças da iniciação cristã e da capacitação para o serviço na Igreja.
3. Incentivar o uso dos dons espirituais não apenas na Renovação Carismática, mas em toda a Igreja. Estes dons ordinários e extraordinários ocorrem em abundância entre os leigos, religiosos e sacerdotes. A compreensão verdadeira destes dons e seu uso em harmonia com outros elementos da vida da Igreja é fonte de vigor para os cristãos em sua jornada para a santidade e para o cumprimento de sua missão.
4. Promover o trabalho de evangelização no poder do Espírito Santo. A Renovação evangeliza através de “Seminários de vida no Espírito”, dos retiros e das “Experiências de Oração”, onde é feito o primeiro anúncio do Evangelho (o querigma), através do qual a pessoa aceita Jesus como Senhor e Salvador, e recebe a efusão ou batismo no Espírito Santo.
5. Incentivar um crescimento contínuo em santidade e formação cristã. Isto se realiza através de uma vida de oração pessoal diária, frequência aos sacramentos, estudo e leitura da Sagrada Escritura, e de uma formação na Doutrina e no Magistério da Igreja Católica.
6. Incentivar a inserção nas diversas pastorais da paróquia e da diocese, onde o uso dos carismas serão parte integrante da missão evangelizadora.

Aspectos Básicos

A Renovação Carismática tem sido um movimento de transformação dentro da Igreja, com aspectos básicos:

1. Conversão
2. Batismo no Espírito Santo
3. Carismas
4. Vida Sacramental
5. Formação de Comunidades
6. Evangelização

Podemos distinguir a Renovação como espiritualidade e como movimento. Desta forma, a Renovação como espiritualidade é um derramamento das graças de Deus e, como movimento, é um canal para que estas graças atinjam as pessoas.

“A Renovação Carismática é uma manifestação eloquente da vitalidade jovem e contínua da Igreja hoje, uma afirmação corajosa de que o Espírito está dizendo às Igrejas” (Ap 2,7) à medida que nos aproximamos do encerramento do Segundo Milênio”. (Papa João Paulo II, 1987).

Dons e Carismas

A Igreja é essencialmente carismática e o Espírito Santo é a alma da Igreja que impulsiona aqueles que nela estão inseridos à continuação da obra de Jesus na realização do Reino do Pai no mundo. Porque para cada um são distribui dos dons e serviços (Ef 4,11-13) e o Espírito Santo nos indica e nos leva à edificação pessoal e da comunidade somos testemunhas da Presença do Reino através de um compromisso de amor para com Deus e para com o mundo.

O Espírito Santo se dá aos homens para santificá-los e derrama seus dons, concedidos pela superabundância da economia do Senhor para fazer a Igreja crescer, para afirmá-la e sustentá-la.

“Para exercerem tal apostolado, o Espírito Santo – que opera a santificação do povo de Deus através do ministério e dos sacramentos – confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. 1 Cor 12,7), “distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer” (1 Cor 12,11), de maneira que “cada qual, segundo a graça que recebeu, também a ponha a serviço de outrem” e sejam eles próprios “como bons dispensadores da graça multiforme de Deus” (1 Pd 4,10), para a edificação de todo o corpo na caridade (cf Ef 4,16). Da aceitação destes carismas, mesmos dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de exercê-los para o bem dos homens e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do Espírito Santo, que “sopra onde quer” (Jo 3,8), e ao mesmo tempo na comunhão com os irmãos em Cristo, sobretudo com seus pastores, a quem cabe julgar sobre a autenticidade e o uso dos carismas dentro da ordem, não por certo para extinguirem o Espírito, mas para provarem tudo e reterem o que é bom (cf. 1 Tess 5,12.19.21) (Apostolicam Actuositatem nº 3)

O que é vivenciado no Grupo de Oração?

  • Louvor e cântico no grupo
  • Louvor espontâneo individual
  • Oração compartilhada
  • Participação de todos os que estão presentes
  • Cânticos alegres de júbilo
  • Adoração
  • Silêncio, escuta de Deus
  • Instrução sobre um tema da Sagrada Escritura
  • Revelação de vários dons na assembleia, conforme a inspiração do Espírito Santo (cf. 1 Cor 12)
  • Profecia
  • Línguas
  • Interpretação de Línguas
  • Curas
  • Libertações espirituais
  • Palavras de ciência
  • Palavras de sabedoria
  • Intercessão

Frutos

O batismo no Espírito Santo não é um fim em si mesmo, mas um meio de santificação e preparação para missão.

Os Grupos de Oração buscam intensificar na vida cristã

  • Oração pessoal diária
  • Adoração e louvor
  • Abertura à escuta da Palavra e aos dons
  • Vivência sacramental profunda
  • Conversão contínua
  • Perdão e amor aos irmãos
  • Integração em comunidades carismáticas
  • Integração em equipes de serviço à Renovação e à Igreja local
  • Integração em pastorais da paróquia
  • Leitura e estudo da Sagrada Escritura e documentos da Igreja
  • Uso de dons carismáticos
  • Serviço através de ministérios específicos na Renovação, como pregação, evangelização, música, cura, ação social e comunitária
  • Maior devoção à Maria, amor ao Papa
  • Vivência da própria realidade de vida em nível cristão
  • Testemunho de vida
  • Obediência e unidade com a hierarquia da Igreja

Fonte: Escritório Nacional RCC, Renovação Carismática Católica – O que é?

Por favor, siga de compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Próximos eventos

  1. Seminário de Dons

    23 Maio @ 14:00 - 24 Maio @ 17:30